Juros simples e juros compostos parecem a mesma coisa, mas o resultado no seu bolso é bem diferente. No primeiro, os juros incidem sempre sobre o valor inicial. No segundo, incidem sobre o valor acumulado, juros sobre juros.
A diferença parece pequena no começo, mas cresce mês após mês. Neste guia você entende as duas fórmulas, compara com exemplos em reais e descobre onde cada tipo de juro aparece no seu dia a dia.
O que são juros simples
Nos juros simples, o valor dos juros é calculado sempre sobre o capital inicial, e nunca muda de um período para o outro. O crescimento é linear: uma linha reta subindo no mesmo ritmo.
Exemplo: você empresta R$ 1.000,00 a 5% ao mês em juros simples. Todo mês, os juros são 5% de R$ 1.000,00, ou seja, R$ 50,00 fixos. Depois de 6 meses, você recebe R$ 1.000,00 + R$ 300,00 = R$ 1.300,00.
A fórmula dos juros simples é:
Montante = Capital × (1 + taxa × tempo)
Com os números do exemplo: R$ 1.000 × (1 + 0,05 × 6) = R$ 1.000 × 1,30 = R$ 1.300,00. Para testar outros valores, use a calculadora de juros simples.
O que são juros compostos
Nos juros compostos, os juros de cada período são calculados sobre o montante acumulado, incluindo os juros dos períodos anteriores. É o famoso “juros sobre juros”, e o crescimento é exponencial: acelera com o tempo.
Exemplo: os mesmos R$ 1.000,00 a 5% ao mês, agora em juros compostos. No primeiro mês, os juros são R$ 50,00 e o montante vira R$ 1.050,00. No segundo mês, os 5% incidem sobre R$ 1.050,00, gerando R$ 52,50. Depois de 6 meses, o montante é R$ 1.340,10.
A fórmula dos juros compostos é:
Montante = Capital × (1 + taxa)^tempo
Com os números do exemplo: R$ 1.000 × (1,05)^6 = R$ 1.340,10.
A diferença na prática: R$ 5.000 a 1% ao mês
Veja o que acontece com R$ 5.000,00 aplicados a 1% ao mês durante 12 meses nos dois regimes:
| Mês | Juros simples | Juros compostos | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 5.050,00 | R$ 5.050,00 | R$ 0,00 |
| 3 | R$ 5.150,00 | R$ 5.151,51 | R$ 1,51 |
| 6 | R$ 5.300,00 | R$ 5.307,60 | R$ 7,60 |
| 12 | R$ 5.600,00 | R$ 5.634,13 | R$ 34,13 |
No primeiro mês os valores são idênticos. A partir daí, os compostos puxam na frente e a diferença só aumenta. Com taxas maiores ou prazos mais longos, o buraco fica bem mais fundo: R$ 10.000,00 a 10% ao mês por 6 meses viram R$ 16.000,00 em juros simples, mas R$ 17.715,61 em juros compostos, uma diferença de R$ 1.715,61.
Quer testar com os seus números? Use a nossa calculadora de juros compostos e veja o resultado em segundos.
Onde cada tipo aparece no Brasil
Na prática brasileira, quase tudo que envolve dinheiro usa juros compostos. Os juros simples aparecem em situações específicas:
Juros simples, você encontra em:
- Desconto de duplicatas e boletos antecipados
- Algumas multas contratuais e cálculos de dívidas em acordos
- Cálculos judiciais de atualização de débitos em certos casos
Juros compostos, você encontra em:
- Poupança, CDB, LCI, LCA e outros investimentos de renda fixa
- Financiamentos de carro e casa (tabelas Price e SAC)
- Cartão de crédito no rotativo e cheque especial
- Empréstimos pessoais e consignados
Ou seja: quando o banco paga a você, e principalmente quando você deve ao banco, o regime quase sempre é o composto. Saber disso muda a forma de comparar propostas. Na hora de escolher entre pagar à vista no Pix ou parcelar, a calculadora de parcelamento faz essa comparação para você.
Por que os juros compostos importam tanto
Duas consequências práticas:
- Dívidas crescem rápido. Uma dívida de cartão no rotativo cresce com juros sobre juros todo mês, mesmo sem novas compras. A Lei nº 14.690/2023 passou a exigir limites para os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura (art. 28) e garantiu a portabilidade do saldo da fatura para outra instituição, sem custo cobrado pelo credor original (art. 27). Mesmo assim, o mais seguro é pagar a fatura inteira.
- Investimentos ganham força com o tempo. Quem investe cedo aproveita mais ciclos de “juros sobre juros”. A mesma taxa rende muito mais em 10 anos do que em 2, porque cada ano novo rende sobre um montante maior.
A calculadora de porcentagem ajuda a visualizar esses cenários antes de assinar qualquer contrato.
Erros comuns (e como evitá-los)
- Achar que a diferença é desprezível: em prazos curtos e taxas baixas ela é pequena, mas em financiamentos de anos ela decide milhares de reais.
- Comparar propostas só pela parcela: duas propostas com a mesma parcela podem ter regimes e taxas efetivas diferentes. Compare sempre o custo total.
- Ignorar o CET: o Custo Efetivo Total inclui taxas e encargos além dos juros. É ele que permite comparar propostas de verdade.
- Confundir taxa nominal com efetiva: 12% ao ano não é o mesmo que 1% ao mês em juros compostos (1% ao mês equivale a cerca de 12,68% ao ano).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
Nos juros simples, os juros incidem sempre sobre o valor inicial. Nos compostos, incidem sobre o valor acumulado, gerando juros sobre juros. Com o tempo, os compostos sempre superam os simples.
Como calcular juros compostos?
Use a fórmula Montante = Capital × (1 + taxa)^tempo, com taxa e tempo na mesma unidade (por exemplo, taxa mensal com tempo em meses).
A poupança usa juros simples ou compostos?
Compostos. O rendimento de cada mês incide sobre o saldo já atualizado, por isso o saldo cresce em ritmo acelerado.
Juros simples podem ser maiores que os compostos?
Em prazos menores que um período completo, sim, por uma questão matemática da curva. Mas em prazos de um período para cima, os compostos levam vantagem e a diferença cresce com o tempo.
Como saber se um empréstimo usa juros simples ou compostos?
Leia o contrato e confira o CET. No Brasil, a grande maioria dos empréstimos, financiamentos e dívidas bancárias usa juros compostos.
Revisado em 26 de outubro de 2026 pela Equipe Calculadora Porcentagem. Como revisamos.
Fontes: Lei nº 14.690/2023, arts. 27 e 28.

